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segunda-feira, 6 de agosto de 2012 Entrevista, Mercado Sertanejo, Música | 08:16

João Carreiro e Capataz: “Tudo o que a gente construiu nesses dez anos de carreira, nunca precisamos da TV”

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João Carreiro e Capataz (Foto: Claudio Augusto)

Se parte do público que curte música sertaneja reclama que não se fazem mais canções como antigamente, cá está uma dupla para provar o contrário. João Carreiro e Capataz estão com dez anos de carreira e fogem dos hits que tem dominado as rádios nos últimos tempos. No disco mais recente, um álbum duplo intitulado “Lado A/Lado B”, os meninos de Cuiabá (MT), trazem um som mais rústico e não abandonam a viola caipira, que tanto são apaixonados. “A gente não faz tanta questão e não tem tanta preocupação com esse estilo comercial ao extremo que o público hoje está procurando e esquecendo um pouco da arte, esquecendo um pouco da raiz”, explica João Carreiro.

Além do estilo musical, ele carrega no nome a paixão por seu grande ídolo. “João é meu nome de batismo e Carreiro é porque a gente é muito fã de Tião Carreiro e Pardinho. Então eu fiz em homenagem ao Tião Carreiro, não sei se ele gostou (risos), mas foi de bom coração. Nosso estilo de cantar é em cima desse segmento. Espero que a gente esteja fazendo, porque a gente faz com muito carinho, com muita humildade, levando a viola caipira e a música raiz pra galera”, explicou o cantor antes da apresentação da dupla no Jaguariúna Brahma Country Festival.

Aliás, durante a entrevista no camarim, a dupla aproveitou para fazer um desabafo em relação à divulgação do evento. “Eu não sei o que aconteceu. Nessa festa mesmo aqui saiu a propaganda na televisão de todos os artistas e não apareceu nosso nome. Não sei porque. Mas não apareceu”, afirmou João Carreiro.

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Na TV

A ausência do nome da dupla nas telinhas não é apenas no comercial do evento. “Olha, vou falar uma coisa pra você, a gente já não aparece muito em TV”, comentou Capataz. E isso não é por falta de vontade da dupla. “A gente até quer, moça. Os outros é que não querem. Como os outros não querem e a gente é muito pequeno pra brigar, então a gente fala: ‘o dia que vocês quiserem, vocês compram o disco’. Sei que, graças a Deus, a gente toca no Brasil inteiro, nas maiores festas agropecuárias do Brasil. Então, se o povo quer, não é a mídia televisionada que vai fazer isso”, afirma Capataz.

Completando uma década de carreira, a dupla garante não precisar estar na TV para seguir com seu público fiel. “Tudo o que a gente construiu nesses dez anos de carreira, nós nunca precisamos da TV. Foi tudo gratuitamente, do querer do povo, de aceitar o nosso estilo e gostar. Então hoje a gente não tem essa preocupação de querer ir na mídia, de ficar de expondo, para não virar escravo”, comentou João Carreiro.

Confira o clipe de “O que essa moça fez aqui”, uma das canções de João Carreiro e Capataz

Cachê sertanejo

Indo pelas beiradas, longe dos hits que enriquecem rapidamente alguns artistas, a dupla garante que não tem passado necessidade quando se fala em cachê. “Minha filha não está passando fome, graças a Deus”, brinca João Carreiro. Capataz aproveita para dar um recado para aqueles que ostentam suas conquistas materiais. “Esse povo que faz propaganda, vou falar uma coisa pra vocês: ‘larga de ser bobo. Pra que vão falar o que ganha? Isso é coisa de gente emergente. Larga mão de ser bobo, fica quietinho’”.

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Mercado sertanejo

Assim como outras duplas vêm criticando o mercado sertanejo (em especial, a parte que está longe dos olhos do público), João Carreiro e Capataz fazem coro. “O mercado hoje está muito sujo. É o meio mais nojento, falso. Tem um monte de empresário que quer aparecer mais que o artista. Essa é a verdade. Um monte de empresário fazendo artista da noite para o dia. Tem escritório que tem uns oito artistas. Aí tem três que são de nome e, o resto, eles vão enfiando goela abaixo. Mas isso aí não somos nós que temos que brigar. São os contratantes e, mais ainda, o povo. Se o povo estiver aceitando, a gente não é ninguém para falar. Mas que o meio está bagunçado, está”, desabafa Capataz.

Capataz (Foto: Claudio Augusto)

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quinta-feira, 26 de julho de 2012 Entrevista, Mercado Sertanejo, Música | 08:03

Victor e Leo: “O mercado sertanejo, hoje, é uma prostituição absoluta”

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Victor e Leo (Foto: Divulgação)

Falta pouco para o DVD “Ao Vivo em Floripa”, de Victor e Leo, chegar às lojas. O novo trabalho da dupla, que entra no mercado no início de agosto (o CD já está disponível), traz um show com quase duas horas de música e transita pelo rock, reggae, samba e forró, sem perder a essência sertaneja dos irmãos.

Na gravação, que aconteceu em 28 de março em Florianópolis, a dupla contou com as participações de Paula FernandesChitãozinho XororóThiaguinho,  Marciano, Nice, Nando Reis,Gabriel GrossiHaroldo FerrettiPepeu Gomes e Zezé di CamargoLuciano. Aliás, a parceria entre os anfitriões e os filhos de Francisco na canção “Quando você some” é um dos destaques do álbum.

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Assim como acontece em todos os outros trabalhos da dupla, Victor e Leo optaram por seguir uma linha mais clássica (incrementadas com os solos do violão elétrico de Victor) e fugiram dos hits que tanto ganharam espaço na mídia nos últimos tempos, inclusive no exterior. E Leo explica essa fuga. “A gente se caracteriza principalmente por fazer música original, a primeira coisa que a gente sempre foca é fazer algo novo. A gente até brincou: qual é a moda? A gente fica ligado na moda para fugir dela”.

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Em um bate papo com a coluna, além de falar do DVD, Victor e Leo analisaram o atual cenário musical. “Eu acredito que, o cara para fazer jus ao gênero sertanejo, tem que ter alguma ligação com o sertão. Se ele não tem nenhuma ligação, se a música dele não tem ligação nenhuma com o sertão, não sei o que é, mas sertanejo não é”, afirmou Victor.

Confira o bate papo com a dupla.

iG: Muitas vezes, o artista vê o resultado do trabalho e sente que poderia ter feito algo diferente. Vocês ficaram satisfeitos com o novo DVD?

Leo: A gente é muito autocrítico. Sempre quando a gente faz um projeto novo, vão passando alguns dias, algumas semanas, a  gente começa a enxergar uma ou outra coisinha que a gente, talvez, poderia ter feito diferente. Mas como é ao vivo, a gente deixa do jeito que foi feito. Cheios de suor, de camisa amarrotada, e a música às vezes com uma falha ou outra na sonoridade, na bateria, na guitarra, no violão, e voz também.

Victor: Eu adorei o resultado. Com o tempo, você acaba priorizando o todo. E o todo, na minha opinião, está maravilhoso. É um DVD sincero, franco, e como o Leo disse, ao vivo. A maioria das pessoas grava um DVD ao vivo em estúdio e bota como se fosse ao vivo. Essa não é nossa realidade e ela pode ser sentida assistindo.

iG: O DVD de vocês tem forró, samba, rock, reggae e, claro, sertanejo. Musicalmente falando, como vocês classificam esse trabalho? Em que categoria, que prateleira da loja, vocês o colocariam?

Victor: Colocaria no “V”, de Victor e Leo. Tem folk, rock, reggae…e ”V”. Que é isso? É uma mistura de um monte de coisa. Apesar de a gente ter na música sertaneja raiz a nossa maior essência, a gente tem em tudo quanto é estilo, seja brasileiro ou internacional, referências fortes. A gente ouviu de tudo, de Dire Straits a Tião Carreiro e Pardinho. Agora, somos caipirões, somos criados na roça, no campo. De alguma maneira, a parte mais forte da nossa música está na música sertaneja, que retrata o que a gente viveu de verdade.

Leo: Acho que isso é retrato do que eu e o Victor sempre fomos, mesmo antes de cantar. É um retrato do que a gente sempre se espelhou, sempre escutou. Dois adolescentes que cresceram ouvindo música sertaneja de raiz, trio Parada Dura, Sérgio Reis, Almir Sater, Renato Teixeira, Chitãozinho e Xororó, Milionário e José Rico e uma série de outros nomes, e ao mesmo tempo Guns n’ Roses, Eagles, Bon Jovi, Dire Straits, Blues, várias outras vertentes musicais.

Victor e Leo (Foto: Heloisa Falak)

iG: Vocês citaram várias referências da música sertaneja e, recentemente, no aniversário de Milionário, muitas desses nomes mencionaram vocês como a dupla que seguirá no mercado. Como é ser reconhecido por aqueles em quem vocês se espelharam?

Leo: A gente recebe isso como um reflexo do que a gente faz, do que a gente tem implantado nesses anos todos. A gente se caracteriza principalmente por fazer música original, a primeira coisa que a gente sempre foca é fazer algo novo. A gente até brincou: qual é a moda? A gente fica ligado na moda para fugir dela.

Victor: Ao mesmo tempo a gente fica muito honrado, porque esses caras, como o Milionário, são referências fortes demais pra gente. Se hoje eles estão de alguma maneira reconhecendo nosso trabalho e elogiando, a gente retribui agradecendo a eles por serem um exemplo pra que a gente toque a carreira dessa maneira.

iG: Vocês tem as músicas mais clássicas, como você falou, fugindo do que é moda, do hit. Como é ver a Billboard americana, afirmar que o sertanejo está em alta, em ascensão, e não citar vocês?

Victor: A palavra sertanejo tem que vir do sertão. Se ela não vier do sertão de alguma maneira, ela é um engano de quem está achando que aquilo é sertanejo. Isso é nossa opinião. Tem um monte de coisa aí dita como sertaneja, que de sertanejo não tem absolutamente nada, nem o cabo da vassoura. A música sertaneja passou por diversas modificações, mas não perdeu sua essência. Se eu citar, dentro do nosso repertório, canções como “Deus e eu no sertão”, “rios de amor”, “noite estrelar”, “vida boa”, essas canções falam do sertão de uma maneira mais nova, entendível para as novas gerações, mas elas continuam lá, falando do velho fogão a lenha. De um tempo para cá, a palavra sertanejo veio perdendo seu sentido completamente. Eu respeito tudo, respeito até a falta de idealismo, mas não vou me misturar a ele e não vou ser conivente a isso.

Leo: Às vezes o cara nunca soube o que é música sertaneja, mas ele está falando que é sertanejo porque o gênero está em alta. Por um outro lado, todos os artistas que conquistaram um público fora do Brasil, é mérito do cara. A gente respeita e não se vê fora disso de uma forma incomodada. Se algum dia, a gente estiver lá, acho ótimo. Também não vou ser hipócrita e dizer que não quero meu nome citado na Billboard, pelo amor de Deus. Quero crescer o quanto eu consiga, acho que faço meu trabalho pra isso, pra alcançar, atingir mais pessoas, pra crescer. A gente respeita tudo, embora a gente não classifique todo mundo como sertanejo.

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iG: Como vocês classificam, então?

Victor: Na verdade, a gente não classifica.

Leo: Particularmente, não me vejo em uma posição de classificar. Acho que é o público que tem que classificar.

Victor: Se quando você canta “Saudade de minha terra” e, aí, você canta uma outra coisa, dos tempos atuais, o que é sertanejo? Fica muito difícil, muito distante. Eu acredito que, o cara para fazer jus ao gênero sertanejo tem que ter alguma ligação com o sertão. Se ele não tem nenhuma ligação, se a música dele não tem ligação nenhuma com o sertão, não sei o que é, mas sertanejo não é.

Victor e Leo (Foto: Heloisa Falak)

iG: Isso que vocês falaram de não vir do sertão, vocês também ouviram quando iniciaram a carreira.  A primeira vez que participaram do Faustão, por exemplo, ele perguntou diversas vezes o que vocês faziam, se tinham vindo da roça, pediu para vocês cantarem sucessos antigos em vez de músicas de vocês. E, ali, vocês mostraram a que vieram. Vocês sofreram preconceito por não terem a história, por exemplo, de Chitão e Xororó, Zezé e Luciano?

Victor: Sim, nos próprios botecos. Nosso início em São Paulo, por exemplo, a gente já cantava há dez anos, e as pessoas nos botecos falavam: “esses caras aí, esses bonitõezinhos, não cantam nada”, antes mesmo de a gente cantar.

Leo: E a gente não tinha medo de ouvir não. Os caras hoje tem muito medo de ouvir não.

Victor: Se o cara não aceitava, dizia: “vocês cantam em uma região muito mediana, não gritam. Tem que gritar, malhar veia”. Nós estudamos canto cinco anos e aprendemos que cantar é o contrário de gritar. Culturalmente falando, a gente tinha que tomar uma dose a mais de paciência para poder mostrar o trabalho como ele era e conquistar nosso próprio público devagar.

Leo: A gente sofreu preconceito tanto na noite quanto quando a gente apareceu no mercado, que as pessoas…enfim, não vou dizer esse detalhe no Faustão, mas algumas pessoas nos viam como uma coisa nova, diferente do que estava acontecendo há algum tempo.

Victor: Acho que alguns artistas tem medo da rejeição, por isso que a maioria imita. Mas vou dizer, a gente não usava aquelas botas com bico fino. Tem um monte de dupla que usa, mas nunca foi o nosso estilo. Nem na roça a gente usava. A gente usava mais botina, tênis. Prefiro ser eu. Tem um monte de gente usando bota e chapéu, cantando gato por lebre.

iG: Vocês são um pouco avessos para falar de  vida pessoal, e tem  muito fã que gostaria de saber um pouco mais do que acontece com vocês longe dos palcos, por trás das câmeras. Até que ponto vocês acham que isso não pode atrapalhar na carreira, e de repente as pessoas taxarem vocês como metidos, arrogantes ou algo assim?

Leo: Na verdade, não sei se atrapalha na carreira. Acho que vai atrapalhar na vida pessoal. Vejo dessa forma. Eu tenho dois filhos e uma esposa, que eu evito expor excessivamente. Em algumas situações, já estive com Tatiane em alguns lugares, eventos, uma coisa natural, nada forçado assim: “vamos em tal evento para aparecer em tal revista…”.

Victor: Se por preservar minha vida pessoal, eu tiver que ser chamado de metido, eu prefiro preserva-la. Se alguém me pergunta uma coisa que eu não queira expor, eu prefiro ao invés de prejudicar alguém, ser taxado como antipático do que prejudicar meu lado pessoal. Ele é mais valioso. Porque meu trabalho é música. Se as pessoas querem saber quem eu amo, aí é um problema de quem quer saber, eu não tenho que contar. Respeito quem expõe, mas esse não é meu perfil, do meu irmão.

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iG: Pra finalizar, queria que fizessem uma análise do mercado sertanejo hoje em dia e da carreira de vocês dentro desse mercado.

Leo: (pensa um pouco para falar) O mercado sertanejo, a música sertaneja, hoje é uma prostituição absoluta. Nego compra música, rádio, show, contratante, compra isso, compra aquilo, e se esquece do que o cara está fazendo por trás daquilo, que é a arte. Acho que é até bom tudo isso, a gente continua fazendo nosso trabalho aqui, com uma intenção bacana, como muitos outros continuam fazendo. Se um dia  a gente voltar a ter, como a gente tinha em tempo de boteco, um casal escutando a gente em frente a um show, a gente não vai se vender. Vai continuar fazendo nossa música, sem fazer o que está rolando.

Victor: Sintetizando é isso aí. A música sertaneja está em baixa e a palavra sertaneja está em alta. É isso mesmo!

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terça-feira, 24 de julho de 2012 Mercado Sertanejo, Música | 08:32

Milionário : “Tem vários artistas que cantam sertanejo, mas não sabem o que é o sertanejo”

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Milionário, da dupla Milionário e José Rico (Foto: Foto Rio News)

Com 42 anos de carreira, Milionário e José Rico estão com a agenda cheia de shows. No mês de julho, eles subirão ao palco ao menos 16 vezes. “Tem meses que fazemos 20, tem mês que 23. Estamos nesse pique”, contou Milionário, que nem pensa em se aposentar. “Quanto mais a gente canta, mas a garganta fica melhor. Se parar de cantar, enferruja a garganta. Então nós cantamos bastante, graças a Deus, estamos numa saúde boa e vamos aguentar esse pique até não sei quando, carregar essa bandeira do sertanejo aí”.

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Assista ao vídeo feito no aniversário de Milionário, que contou com a presença de Pedro Bento

E, falando em segurar a bandeira do sertanejo, Milionário falou sobre a explosão do ritmo que vem conquistando o mundo (Leia mais: Billboard americana diz que sertanejo está em ascensão). O cantor afirmou que isso contribuiu para seu trabalho. “Mudou pra melhor. Essa garotada soma na nossa carreira artística. Porque nosso povão, nossos compositores, que faziam as letras lindas, estão sumindo tudo. Uns morrem. Se pinta uma dupla sertaneja hoje, para nós, é um motivo de satisfação”.

Milionário destacou alguns nomes da nova safra que acredita que seguirão no mercado por mais alguns anos. “Dos novos eu fico com Michel Teló, que gosto do estilão dele; com Victor e Leo, que formaram um estilo. Quando você ouve uma música na rádio, você tem que identificar: é fulano e cicrano. Tem que formar um estilo e Victor e Leo formaram”.

Mas o cantor não foi só elogios para as novas estrelas no mercado. “Eu acho que o sertanejo moderno de hoje está esquecendo um pouco as origens do sertanejo. Tem vários artistas que cantam sertanejo, mas não sabem o que é o sertanejo”. Para ele, para se cantar o ritmo, é necessário ter vindo do sertão. “Lá do mato, igual veio eu, o Zé Rico, o Chitaozinho e Xororo, Zezé di Camargo e Luciano, Teodoro e Sampaio. Esses caras que vem lá de baixo e entende o que é uma música sertaneja. Eu gosto das músicas deles, mas acho que tem que pegar mais letra. A música sertaneja é cultura”.

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segunda-feira, 23 de julho de 2012 Mercado Sertanejo, Música | 08:05

Pedro Bento: “Ganhava-se pouco, mas era divertido”

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Pedro Bento (Foto: Foto Rio News)

Muito se fala que a música sertaneja de hoje não tem nada a ver com as canções caipiras do passado e entoadas por duplas como Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico, Craveiro e Cravinho entre outros. Mas um dos representantes e precursores do sertanejo acredita que a música sertaneja continua, sim, a mesma cantada por eles. Pedro Bento, que faz dupla com Zé da Estrada, está há 55 anos no mercado e falou com a coluna sobre o cenário atual. “A música sertaneja não mudou. O que mudou foi o estilo de cantar. As duplas novas aparecendo por aí, tem um estilo diferente, mas a gravação é mais perfeita do que o tempo em que a gente não tinha recurso. A música sertaneja não morreu. Está em atividade até hoje, graças a essa meninada nova. Graças aos novos, é que apareceu uma melhora, né?”, defendeu Pedro Bento.

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Assista ao vídeo feito no aniversário de Milionário, que contou com a presença de Pedro Bento

Para ele, o que mudou mesmo foi a facilidade de divulgação dos novos trabalhos. “Não tivemos essa chance, porque não tinha dinheiro, não tinha divulgação. Era no peito mesmo. Mas a gente fica feliz de ver essa meninada trabalhando. Podemos ficar sossegados, porque está na mão de turma boa”.

Outra diferença entre a época em que Pedro Bento e Zé da Estrada iniciaram a carreira foi o cachê. Se hoje, os músicos andam por aí de carro importado e compram jatinhos para fazer turnê, a dupla não teve esse gostinho. Mas também, não foi com menos paixão que entoaram seus sucessos. “Não tinha local pra trabalhar. A gente trabalhava só em circo. Às vezes chegava na cidade chovia, não trabalhava. Ganhava-se pouco, mas era divertido. Fica na história da caminhada da gente”.

Primeiro DVD

Se hoje muitas duplas gravam DVDs nos primeiros anos de carreira, Pedro Bento e Zé da Estrada esperaram mais de cinco décadas para registrar o primeiro material. “Tem bastante por aí, mas é piratão. O nosso original mesmo saiu há seis meses. Foi maravilhoso gravar. A organização foi muito boa, a divulgação foi boa. Foi maravilhoso”, afirmou Pedro Bento.

Além da alegria do primeiro DVD, o cantor está feliz com o retorno do parceiro aos palcos. Após sofrer um acidente vascular cerebral, Zé da Estrada voltou a se apresentar nos shows. “Ele teve um avczinho, mas não ficou com sequela, já está cantando, já estamos dando show. Temos shows marcados até agosto”, contou Pedro Bento, que vai se apresentar na Festa do Peão de Barretos, durante a tradicional queima do alho.

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