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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 CD, Lançamento | 16:52

Chitãozinho e Xororó cantam Tom Jobim em novo trabalho: “O Tom era sertanejo”

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Difícil achar algum artista sertanejo que nunca tenha cantado “Evidências” ou outros clássicos de Chitãozinho e Xororó. Mas, agora, foi a dupla quem decidiu interpretar canções de outros artistas. Mais exatamente, Tom Jobim. “É a vingança da dupla”, brincou Xororó durante entrevista com o iG logo após a coletiva de lançamento do álbum “Tom do Sertão”. “Acho que é uma roda. O mundo é redondo e não é à toa. A gente está sempre em busca de novidade. Queríamos fazer uma coisa diferente, e conhecendo a obra do Tom, não foi difícil. Difícil foi gravar, desenvolver tudo. Demorou um ano. Mas é sempre o desafio que nos move a continuar cantando esses anos todos”, completou Xororó, responsável por criar o título do novo trabalho.

Para a dupla, Tom era sertanejo. E temas, como o amor, são inspirações repetidas entre eles. “Não está presente apenas na letra, mas também na melodia”, afirmou Xororó, que explicou que a seleção das faixas foi feita com base naquelas que eram possíveis se transformar em duetos. “’Retrato em banco e preto’, por exemplo, não sei se conseguiríamos fazer um dueto. É uma música que amo, mas não foi feita para dueto’, exemplificou.

Xororó relembrou ainda que o álbum é uma nova forma de ouvir Tom Jobim. E quem já teve a oportunidade de escutar o trabalho, concorda. São acordes de violas e acordeon inseridos em faixas como “Estrada Branca”, “Chovendo na estrada”, “Chega de Saudade”, entre outras. As clássicas “Águas de março” e “Eu sei que vou te amar” não faltaram no trabalho.

“É uma leitura de Chitão e Xororó sobre a gigantesca obra de Tom Jobim, que vai muito além da Bossa Nova”, destacou o músico Cláudio Paladini, responsável pela produção do álbum ao lado de Edgard Poças e Ney Marques. “’Tom do Sertão’ vai mostrar para muita gente que se pode cantar música sertaneja com qualidade. Mesmo quem não está acostumado a ouvir música sertaneja, vai ver um bom trabalho”, completou o Xororó.

Durante a coletiva, o cantor afirmou que o público não aceitaria um trabalho desses se fosse lançados anos atrás. Durante o bate papo com o iG, a dupla explicou o motivo de tal afirmação. “Acho que tem o tempo de cada artista. Estamos em uma fase que nos possibilita fazer um trabalho desse nível. Se fossemos fazer isso há vinte anos, não estaríamos preparados. Não tinha bagagem suficiente. Estamos mexendo numa obra da música brasileira. Com um cara que é o maior expoente da cultura da música popular brasileira no mundo todo. Antes, a gente não tinha essa bagagem para fazer um disco nesse nível”, explicou Chitão, que afirmou ainda que a dupla recebeu o aval da família de Tom para o trabalho.

O cantor, aliás, teve um breve encontro com Tom no início de sua carreira. “Tive a oportunidade de conhecê-lo no Rio de Janeiro. Me recebeu muito bem. Disse que tínhamos um trabalho muito bonito e que teríamos um futuro muito bonito pela frente”, relembrou.

A ideia do projeto, além de vontade própria, tem uma motivação especial. “Existe uma nova geração, fãs de Tom Jobim e muitas pessoas no Brasil que não tiveram esse acesso. É uma oportunidade boa, porque o sertanejo está em uma boa oportunidade. É a música número um do mercado. Um momento bom para gente mostrar esse cara fantástico que muita gente só conhece pelos livros”, explicou Chitão.

Xororó, que teve a ideia inicial do projeto, mostra que o projeto pode criar outros braços. “Ficaria muito também como Chico do sertão, Milton do sertão. O Brasil é um pais rural, por mais que muita gente torça o nariz”.

Ah, vale lembrar que o trabalho recebeu contribuições de outros familiares. Junior Lima, filho de Xororó, foi o responsável pelas fotos do encarte do disco. E, Lucas Lima, genro do cantor, participou do arranjo de cordas do projeto.

Próximos trabalhos

Depois de pular de um álbum sinfônico para outro com dedos do sertanejo universitário e seguir para um “sertanejo bossa nova”, Chitão e Xororó não conseguem traçar um próximo passo. “Só Deus sabe”, afirmou Chitão. “A gente tem o privilégio de ter uma estabilidade legal há alguns anos. Não tem essa coisa de ficar procurando novidade, as coisas vão aparecendo naturalmente, e a gente realiza pelo prazer de fazer. Felizmente, nosso público  tem concordado e prestigiado na maioria das coisas que a gente faz . A gente não tem nada a reclamar, só agradecer ao povo, porque a gente não se sente pressionado por fazer tal coisa porque precisa. É a vontade e o prazer de realizar”, afirmou Xororó. “Somos movidos por emoção. Quando a gente se sente bem cantando, não é gênero da música que vai mudar nossa essência. Nãos estamos mais preocupados em vender 3 milhões de discos, como antigamente. Gostamos de fazer música e ir para o palco cantar. Reduzimos o número de shows por isso, pra poder pensar melhor”, destacou Chitão.

O cantor explicou ainda que o álbum será lançado também fora do Brasil, seguindo o alcance de Tom. “A gravadora está mandando para vários lugares, Europa, Estados Unidos, Japão. E isso será o termômetro. Se for bem aceito lá como a gente espera que estejam, os shows serão consequência desse trabalho”.

Leia também: Chitãozinho e Xororó fazem apresentação inédita na Broadway

Show no exterior

Falando em trabalho no exterior, a dupla se prepara para um show inédito na carreira: nos palcos da Broadway, em Nova York. O show será no dia 21 de fevereiro, às 20h, para uma plateia de 1500 pessoas. “A gente sempre espera em cada apresentação fazer um show bonito para aquele público que vai comparecer. Que esse público vá lá, se divirta, cante, sinta saudade”, afirmou Chitão. “A gente espera fazer lá o que a gente tem feito há tanto tempo , que é um show. As pessoas vão lá e saem satisfeitas. Antes, a gente fazia shows lá fora que não eram assim. E gente parou de fazer por esse motivo. E agora estamos tendo uma oportunidade de fazer o que a gente gosta de fazer no Brasil. É um show bacana”, explicou Xororó, que acredita que, antigamente, a dupla apenas cantava no palco e, não, fazia um show.

“Pensávamos: ‘vamos voltar a cantar em circo para que? Só para falar que esta cantando fora do Brasil ?’”. Para este trabalho, com a dupla, seguem toda a equipe e cenário das apresentações feitas no Brasil.

Chitão acredita que 95% do público seja de brasileiros. E, por isso, nem vai precisar deixar o inglês afiado. “Vamos cantar em português (risos). O Chitao é um pouco melhor nisso. Meu inglês é tipo o salário do professor Raimundo, ó, bem pequenininho. Mas não passo fome, dá para comer”, brincou Xororó.

 

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